domingo, 17 de maio de 2009

Minha vida profissional – PARTE 10 (ÚLTIMA PARTE)

frustrado

Como já disse aqui no blog, minha carreira de jornalista começou em dezembro de 1989, quando o jornal de bairro “Gazeta do Aeroporto”, a quem eu devo a minha arrancada na vida profissional, me acolheu e eu comecei a escrever colunas de TV semanalmente – o jornal era distribuído gratuitamente por vários bairros, aos sábados.

Depois, virei repórter, redator e revisor.

Em 1991, o Abel (grande amigo, profissional corretíssimo) me chamou para dizer que o sonho havia acabado. Ele fechou o jornal, muito contra a vontade, mas foi preciso.

Em abril do mesmo ano, conheci o Franco de Rosa, quando eu estava em uma editora justamente para mostrar os meus passatempos. Eu havia aprendido, sem querer, a fazer palavras cruzadas, aquelas tradicionais.

O Franco me incumbiu, primeiramente, de escrever matérias eróticas, depois livrinhos de banca e a coisa foi evoluindo.

Em 1995, cheguei a ter 11 revistas minhas ao mesmo tempo na banca.

Nesse meio-tempo, conheci o Gilberto Firmino (outro profissional de bom caráter) e para ele fiz palavras cruzadas e muitos, mas muitos contos eróticos. Aliás, vivi de escrever esse tipo de coisa durante 2 anos!

Em 1997, por conta da Crise dos Tigres Asiáticos, meu serviço escasseou a ponto de eu ter apenas R$ 2,00 disponíveis por dia para gastar.

Em 1999, como mencionei antes, fiz caça-palavras e palavras cruzadas diretas durante 6 meses e ganhei uma boa grana com isso.

Em 2001, passei a ser revisor de texto, o que me fazia ficar sentado ao computador horas a fio! Daí, o surgimento da hérnia de disco que, até hoje, me atrapalha a vida em vários sentidos.

Entre 2001 e 2006, fui revisor e, vez ou outra, escrevia uma revista. Fui dispensado em 2006, conforme já contei aqui.

Em seguida, o Franco me chamou, prometendo que haveria muito serviço. E no início houve, sim, mas o problema de vendas em bancas de jornal tem se agravado muito de lá para cá e o serviço novamente tornou-se escasso.

No ano passado, o Gilberto entrou em contato comigo, cheio de planos. E estamos trabalhando juntos para ver no que vai dar.

Durante esses anos, é claro que fiz um freelancer aqui e outro ali para outros editores.

Houve um patife, que eu prefiro não mencionar seu nome, porque sou uma pessoa ética, que comprou (e não pagou tudo!) várias palavras cruzadas minhas, publicou-as, inclusive em outras editoras, e eu estou há 3 anos e 4 meses esperando que ele me pague o que já me deve há mais de 4 anos. O picareta abriu falência e, pelo que apurei, deve a Deus e ao mundo. Processei-o, mas não deu em nada. Meu advogado me aconselhou a desistir, pois ele acredita que o safardana nunca irá me pagar…

Bom, obrigado por terem acompanhado esta série até o seu último post.

Acho que tudo o que relatei deve ter servido para alguma coisa, não é?

Eu cheguei à conclusão que neste país, para você se dar bem, tem que se meter com política ou sexo. Tem que ser pilantra, caloteiro, sonegador. Gente honesta, que rala o dia todo para apenas pagar as contas, não tem vez neste mundo sujo, onde os mais fracos, como eu, dançam. E os mais fortes tucham dinheiro no rabo!

Mas como fui bem orientado pelos pais, não irei enveredar pelo caminho da desonestidade. Sei que um dia eu chego lá, pelos meus méritos, e sem prejudicar ninguém.

Obrigado a todos pela audiência.

Abraços,

André Christophe

 

(A IMAGEM PERTENCE AO SITE:http://www.associatedcontent.com/article/701085/the_increasing_human_dependence_on.html?cat=9)

2 comentários:

Rafhaelbass disse...

Nem toda história tem um final feliz (afinal, a maioria das histórias, com h, não têm final feliz...)

Não que seja triste, mas sim, realista, vivemos em uma selva, as coisas estão do jeito que estão e para mudar, ainda tem que acontecer muita coisa. Sinceramente, acho meio que impossível algo mudar...

Parabéns pelos textos!
Abraços!

Bronca no Trombone disse...

Obrigado, amigo, por ter acompanhado a minha saga. Eu ainda não desisti, pois sinto que alguma marca deixarei nesta vida, mas será uma marca boa, que faça bem a alguém.
Acho que eu sou muito estabanado e ponho tudo a perder; talvez, eu cobre demais das pessoas e elas pulem fora por isso...

Abraços,

André