segunda-feira, 11 de maio de 2009

Minha vida profissional – PARTE 4

SCRIPT

Como eu havia dito, em janeiro de 1985, pus no correio um capítulo da minha novela espírita e, claro, uma carta endereçada ao sr. Crayton Sarzi, mencionando o Baroni.

Dois meses se passaram e nada. Até que, no dia 13 de março de 1985, uma quarta-feira, minha mãe entrou no meu quarto, chorando, emocionada:

- Ligaram da TVS! É para você ir lá amanhã… Eu anotei o endereço!

O Crayton havia ligado. Depois, soube que ele ligou para o Baroni, a fim de tomar informações a meu respeito. Meu mestre, o Baroni, só fez me elogiar, ao que o Crayton decidiu, então, me chamar.

No dia seguinte, lá estava eu, diante do Crayton, que, sem muitas delongas, disse:

- Aqui, tenho uma novela com 201 capítulos. Quero que você a leia, faça uma sinopse do que leu e, depois, uma sinopse do que você quer mudar. Só não pode alterar o entrecho central, OK?

Concordei e levei, naquele dia, apenas 25 capítulos para casa. Os demais, o Crayton mandaria de carro depois.

Quando cheguei em casa, disse para a minha mãe, que estava deitada no sofá:

- Mãe, estou com um pé na TVS!

Ela suspirou aliviada, deu um leve sorriso e disse:

- Agora, eu posso ir em paz…

- Pára com isso, mãe! – disse eu, não percebendo que o que ela dissera era uma “despedida”. Ela estava de partida, mas eu não sabia, pois sempre fui muito desligado (egoísta talvez seja a palavra mais apropriada).

No domingo, dia 17 de março, à noite, comecei a ler os capítulos. Duas horas depois, já na madrugada do dia 18 de março, minha mãe passou muito mal e foi retirada de casa pelo meu pai e por um vizinho com um fio de vida e levada para o hospital às pressas. Uma hora depois, meu pai me telefonou, comunicando-me do seu falecimento…

 

CONTINUA AMANHÃ…

3 comentários:

Rafhaelbass disse...

uma parte desta parte (...) eu li na historia da sua mãe.

Quase o mesmo aconteceu com minha vó (foi ela que me criou e com quem eu passei quase toda a vida), eal estava no hospital toda carinhosa comigo, pedindo para que eu preparasse as minhas tias para o pior (minha vó era espirita, e ja tinha morrido uma vez... uma loooonga historia), eu não quis saber do que ela estava falando, e mudei de assunto, não querendo falar sobre isso...

Hoje, me arrependo de não ter escutado ela, e ter aproveitado meu último momento ao seu lado

Está muito boa a história, parabéns

Bronca no Trombone disse...

Não se amargure por isso. Nessas horas, a gente quer mais é confortar a outra pessoa. Veja, a minha mãe, uns dias antes de morrer, afirmou ter visto Jesus. Disse também para a amiga dela do centro que havia visto um homem de idade, assim e assado. A amiga dela, a tia Ida, uma senhora de seus 70 anos na época (1985), disse para a minha mãe: "Meu marido então esteve aí, pertinho de você, filha". E a minha mãe nunca soube como era o marido dessa senhora. Mas isso de a sua avó ter morrido e voltado, pode ser o que eles chamam de Experiência de Quase Morte. A pessoa vai, eles avisam lá que ainda não é chegada a hora e a pessoa volta. E, geralmente, quem passa por isso, volta mudado...

Abração e obrigado pelos comentários. Aprendi mais uma coisa hoje!

André

Bronca no Trombone disse...

Raphael, obrigado pelo elogio ao meu texto. Ainda vem "chumbo grosso" por aí. Talvez, logo você diga: "Cara, desista. Não é para você ser, pelo menos nesta vida, escritor de TV"...

Abração!

André